Apenas mais uma aula de artes, onde todos demonstram suas habilidades artísticas -todos menos eu. Sou um verdadeiro desastre quando o assunto é desenho. Aquele era dia de criar um retrato de alguém que te chamasse a atenção. Havia um novato na turma, quem seria? Era bonito o suficiente para me chamar a atenção. Mas não, eu não faria o retrato de alguém que nem conhecia. Fiz o retrato do professor, para ver se ganharia algum crédito com isso.
Baixinho, gorducho e muito amigável, o Sr. Gasper recolhia os trabalhos enquanto dizia que, sem dúvida, todos seriam aprovados em artes. Fiquei feliz com a notícia, mas na verdade estava prestando atenção no trabalho do aluno novo. Aquela do retrato era eu? Não tive tempo para pensar nisso, o sinal tocou. Droga. Mas talvez fosse uma boa oportunidade para conhecê-lo.
- Oi, sou Helena, bem-vindo a classe. - eu disse ao menino alto, branco e de olhos negros à minha frente.
- Olá, sou Alisson. Então você é a "aluna destaque" da sala. - ele respondeu.
- Pelo visto já te falaram sobre mim.
- A professora Antonieta me aconselhou te procurar caso eu tivesse problema em algum conteúdo.
- Pelo menos em artes acho que não terá problemas, pelo que eu vi, você desenha muito bem.
- Você viu o meu trabalho? - ele perguntou envergonhado.
- Vi de longe. Quem era a garota?
- Bem, você foi a única garota que me chamou a atenção.
Nessa hora, meu coração que até aquele momento era duro como pedra, se derreteu todo por aquele garoto de cabelos pretos e arrepiados - Alisson. Aquele era o meu primeiro amor.
- Disse algo errado? - ele me tirou do meu sonho.
- Não, desculpe. Às vezes me distraio. Melhor voltar para o meu lugar, a professora chegou.
O resto da tarde se passou e eu nem percebi. O último sinal tocou e fui embora frustrada por não ter falado com ele novamente. Os dias se passaram, fomos nos conhecendo melhor e eu estava a cada dia mais apaixonada, embora nada da parte dele indicava algo mais que uma forte amizade.
Fim do primeiro semestre. Um recesso de duas semanas - as semanas mais longas que já vivi. Estava como um trapo, apenas uma alma viva rondando pela casa. Ainda bem que acabou.
Início do segundo semestre. Empolgação total. Fui a primeira a chegar na sala. Depois que todos chegaram, apenas uma cadeira estava vazia - a cadeira de Alisson. Fiquei desapontada, mas esperava ver ele logo. Duas semanas se passaram e nada dele aparecer. Fiquei preocupada e fui à direção perguntar o que havia acontecido. A coordenadora disse que a família dele viajava muito e que eles estavam se mudando constantemente. Isso significava que ele jamais voltaria.
Passei semanas como um trapo novamente, não me conformava com a ideia de perdê-lo. Mas o tempo foi passando, a memória falhando, e aos poucos fui esquecendo.
Após três meses conheci outro garoto, mas desta vez eu tive que me mudar para outro estado. E assim se passou o primeiro amor, depois o segundo, o terceiro... Todos esses passaram e outros passarão, e o coração nunca se cansa de se apaixonar.


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